Este é um tema muito falado por especialistas  mas que as pessoas comuns, por suas diversas razões, tem dificuldade de reconhecer e encarar o problema.

A maior parte das pessoas, quando ouve falar em “Saúde Mental”, pensa em “Doença Mental”. Mas, a saúde mental implica muito mais que a ausência de doenças mentais.

Pessoas mentalmente saudáveis compreendem que ninguém é perfeito, que todos possuem limites e que não se pode ser tudo para todos. Elas vivenciam diariamente uma série de emoções, como: alegria, amor, satisfação, tristeza, raiva e frustração. São capazes de enfrentar os desafios e as mudanças da vida cotidiana com equilíbrio e sabem procurar ajuda quando têm dificuldade em lidar com conflitos, perturbações, traumas ou transições importantes nos diferentes ciclos da vida.

A Saúde Mental de uma pessoa está relacionada à forma como ela reage às exigências da vida e ao modo como harmoniza seus desejos, capacidades, ambições, ideias e emoções.

Coletamos os principais conselhos dos  especialistas publicados no Jornal New York Times durante o ano de 2021 para tentar identificar e superar esta dificuldade.

Dar nome as coisas e aos sentimentos ajuda a quebrar a rigidez, a vergonha e a facilita falar sobre o tema. Um exemplo é, se você sofre de depressão, TDAH ou se sente alguma diferente, de um apelido a este “pacote de emoções”. Chame de “Bruce, Eclipse, Luana, etc”. O apelido permite manter as pessoas informadas de maneira eficiente sobre o seu status, como em: “Bruce tem realmente me deixado para baixo esta semana”.  Digamos que seja uma resposta socialmente aceitável para a pergunta “Como vai você?” sem expor todas as suas feridas. O apelido ajuda a iluminar a sua própria escuridão.

Existem passos simples que podem ajudar a recarregar nossas baterias emocionais e a despertar uma sensação de realização, propósito e felicidade. Os psicólogos chamam esta combinação de aptidões de “Florescente”. Você não precisa ficar parado ou sentado pensando no propósito das coisas e da sua vida. Inclua este pensamento em suas atividades cotidianas, faça valer a pena. Limpar um quintal, fazer uma comida, consertar algo em casa, etc, seja o que for, alcance a sensação de realização, faça valer a pena . Pergunte para você todos os dias, o que você fez para valer mais este dia na sua vida.

Seu cérebro é como um computador, com uma quantidade limitada de memória e processamento. E como uma máquina ele pode sofrer “up grade” ou “dow grade”. Emoções negativas como ansiedade e estresse podem tornar mais difícil o raciocínio para a resolução de problemas ou encarar uma situação desafiadora. Nestes casos “a primeira coisa que é preciso fazer é focar no momento presente para que possamos nos acalmar”. Realize exercícios simples de relaxamento ( tipo flexionar os dedos, descontrair o pescoço, dobrar-se sobre as pernas), alongue-se para descontrair a tensão (os braços, as pernas, suba um lance de escadas), repire (faça o ar e a energia fluírem por dentro do seu corpo) ou procure meditar (feche os olhos, imagine um lugar agradável, mentalize suas capacidades, seu propósito, tenha Fé).

Saiba que não é possível vencer todas as batalhas ou acertar tudo, sempre existe a possibilidade de 99,9999999% de acerto. Na hierarquia do sofrimento humano, podem acontecer diversos tipos de perdas: 1- cancelamento de uma viagem, 2- perda de uma promoção, 3- venda de um bem estimado, 4- mudança de planos de última hora, etc. Estas pequenas perdas podem  não parecer muito, mas os especialistas em saúde mental dizem que todas as perdas precisam ser reconhecidas e lamentadas. “Precisamos nos dar o direito de lamentar, de ter o luto e refletir. Depois de aceitar que seu luto é real, existem etapas que você pode seguir para ajudar a lidar com a situação”. Resignificar este momento é importante. O que farei? Qual o próximo passo? Como seguir? Devemos tirar algum aprendizado da situação e buscar o que nos vai mover para frente. Seguindo os exemplos dados acima, podemos: 1- programar uma nova viagem ou agradecer por um livramento, 2- decidir mudar de carreira, de empresa ou abrir novos horizontes, 3- alcançar algo melhor ou nos livrar de energia negativas paradas, 4- demonstrar desapego ou o dom da caridade de ajudar o próximo.  Entenda que nossa vida é um campeonato longo, onde perder faz parte do jogo, mas não todas!!!

Quando o cérebro e o corpo precisam de uma pausa, tirar um dia de folga do trabalho ou da escola para cuidar da saúde mental pode ajudá-lo a descansar e a recarregar as energias. “Você não se sentiria mal por tirar um dia de folga se estivesse doente. Você não deve se sentir mal por tirar uma folga quando está triste”. No geral, você não precisa contar a ninguém porque está tirando a folga. Na maioria das situações, basta dizer que você “precisa tirar um dia de folga para resolver problemas”. Mas o importante é sair da rotina, foque nos objetivos que levaram você a tirar o dia, ou seja, não passe o dia checando suas mensagens ou se sentindo culpado. Faça um plano para fazer algo que o ajude a descansar.

Uma noite de sono ruim é mais do que um incômodo. Ela enfraquece o sistema imunológico, reduz a capacidade de memória e atenção e aumenta a probabilidade de depressão. Segundo os especialista em sono, uma técnica para ajudar a evitar uma noite mal dormida é lidar com os pensamentos, sentimentos e comportamentos subjacentes que estão arruinando o seu sono. Se você ainda não conseguiu resolver o problema que esta tirando o seu sono, uma estratégia para ajudar extrair os problemas da sua noite de sono, é anotar todos seus pensamentos, sobretudo algo que esteja incomodando, duas horas antes de dormir, e depois amassar o papel e jogá-lo fora. O gesto traz força mental que você vai resolver a situação e acalma a mente.

Se você apagou as luzes, desligou a TV, se afastou do celular,  massageou os pés, aplicou reike, fez respiração e não consegue dormir, talvez agora você esteja precisando fazer um exercício mental para ajudar a induzir alguns estímulos. O exercício mental induz ao tédio, o que desacelera o cérebro. Lembre-se que estes exercícios são para ajudar você a se abstrair do dia a dia, e não ficar pensando nos problemas. Tente fazer coisas que vão te entediar, cansar e desacelerar o cérebro. Tais como, contar de 1 a infinito (como se fosse contar carneirinhos), lembrar de todos os estados em ordem alfabética, tente lembrar de algumas memórias antigas (de quando era criança), etc.

Mesmo antes do isolamento social exigido pela pandemia, os especialistas já alertavam sobre uma “epidemia de solidão” e buscavam solução para este problema social e de saúde. O homem não nasceu para viver isolado e sim em sociedade, entretanto o estilo de vida corrido, as redes sociais e a dificuldade de se identificar (com grupos e valores) tem incentivado este isolamento. Pesquisadores mostram que retribuir pode melhorar nossa saúde, aliviar sentimentos de solidão e ampliar nossas redes sociais (real e não digital). Lembre-se que a caridade faz parte de nossa essência, mesmo as vezes estando adormecida. Então, para despertar este nosso lado, seja por instinto de sobrevivência ou gratidão,comece escolhendo algo/um objetivo que você se identifica, exemplos:  paz interior (meditação, fé), animal de estimação, uma causa ( crianças carentes, meio ambiente), uma motivação (esporte), etc. Depois estabeleça uma pequena meta pessoal: como ser voluntário e se dedicar uma vez por semana, quinzena ou mês. Invista tempo neste objetivo, crie o hábito, uma rotina, gaste tempo com que você escolheu. Com o tempo a sensação de pertencimento, reconhecimento e satisfação vão ajudar você a sair, um pouco, do isolamento e se integrar novamente na sociedade melhorando a sua saúde mental.

Algumas pessoas tem o hábito de cobrarem muito e serem muito mais exigentes consigo mesmas. Assim não valorizam suas vitórias, não aproveitam suas conquistas e se punem/criticam constantemente. Este comportamento pode acontecer desde coisas simples, tais como, não fazer exercício suficiente, até situações mais complexas no trabalho e na família. Quando isto acontecer lembre-se que envergonhar-se ou ficar se torturando é contraproducente. Ao invés disso, procure praticar a autocompaixão. Que nada mais é do que a capacidade de tratar a si mesmo com gentileza. Seja seu melhor amigo, pergunte como posso me ajuda? Do que preciso agora? Faça as coisas fluírem tranquilas em seu curso como se fossem as águas de um rio.

Fontes:

Jornal O Globo, 09/01/2022

Reportagem New York Times

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